O que a vacina do coronavírus ensina sobre saúde emocional?
Entenda como a pandemia afetou a saúde mental de milhões de pessoas e quais sãos perspectivas com o início da vacinação.
A crise sanitária desencadeada pela pandemia novo coronavírus já é encarada como uma das maiores da história. Desde os primeiros casos confirmados em dezembro de 2019, já são quase 2,5 milhões de mortes em todo o mundo e 230 mil somente no Brasil.
O número de óbitos assusta, mas, como sabemos, os efeitos da pandemia vão além disso. Com a crise econômica e necessidade de adoção de medidas de isolamento social, as pessoas, de maneira geral, estão submetidas a um nível incomum de estresse.
Nesse cenário, uma questão importante a ser discutida é a saúde emocional. Afinal, como manter a mente equilibrada em um período de tantas incertezas?
Isolamento social x doenças mentais
O isolamento social se mostrou algo nocivo para boa parte da população brasileira. Permanecer em casa, sem contato com amigos e familiares, fora de uma rotina de normalidade, certamente é uma condição propícia para o aparecimento de transtornos de ansiedade.
Se pensarmos na população idosa, por exemplo, temos milhões de pessoas que já viviam uma circunstância de relativo isolamento. Com a pandemia, tal condição foi intensificada, levando a uma fragilização ainda maior de pessoas que inspiram cuidados.
Por parte de quem não pôde aderir ao isolamento, como profissionais de saúde, entregadores e demais pessoas que permaneceram trabalhando presencialmente, temos uma situação estresse incomum por outros motivos.
Afinal, estar exposto ao risco constante de contrair o vírus ou temer pela contaminação de terceiros em função do contato consigo também é uma posição desfavorável.
Nesse sentido, alguns estudos já apontam que, durante a pandemia, quem manteve uma rotina de trabalho normal, sem a opção de aderir ao home office, está mais propenso a devolver distúrbios de ansiedade e depressão.
Para os especialistas, a conclusão mais óbvia é que, embora tenhamos sérias dificuldades para nos adaptarmos a uma rotina de isolamento, o estresse envolvido em uma exposição diária a doença é capaz de acarretar problemas mais graves de saúde mental.
Covid-19 associado a transtornos mentais
Um em cada 16 pacientes infectados com a covid-19 desenvolve algum transtorno mental dentro de três meses. A conclusão foi obtida por meio de um estudo desenvolvido por pesquisadores no âmbito da Universidade de Oxford e publicado por diversas revistas científicas.
Os cientistas analisaram 62 mil pessoas que tiveram diagnóstico positivo para o coronavírus. Em pacientes sem um histórico psiquiátrico, a covid-19 foi responsável por levar a uma incidência maior de problemas como depressão, ansiedade, insônia e até formas raras de demência.
Para o cientista que chefiou o estudo, Maxime Taquet, o risco de desenvolver essas doenças e transtornos está duas vezes acima do esperado em pacientes hospitalizados. A pesquisa também indica que pessoas com alguma doença psíquica tem mais riscos de contrair a Covid-19.
Novas perspectivas com a vacina do coronavírus
Se até então o cenário não é nada animador, a vacina – ou as vacinas – aparecem com elemento fiador da esperança de toda a humanidade. Em várias partes do mundo a vacinação já começou e nos próximos meses teremos estudos que poderão comprovar ou não a efetividade dos imunizantes para diferentes recortes populacionais.
Para maior parte da comunidade científica, as vacinas já aprovadas cumprirão o importante papel de ao menos impedir que as pessoas contraiam a forma grave da doença, deixando de demandar hospitalização.
Esse aspecto, por si só, levará um verdadeiro alívio aos sistemas de saúde de todo o mundo, que há meses enfrentam uma crise sem precedentes.
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Robson Oliveira
Publicitário, empresário desde os 20 anos em diversos setores, Diretor da Atlântico Corretora de Seguros.
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