Qual o papel do setor de RH no momento de crise?

Por Robson Oliveira
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As medidas de isolamento social promovidas pelo governo forçaram muitas empresas a adotar o regime de trabalho remoto – o chamado home office. Para aqueles que nunca trabalharam dessa forma, tem sido bastante desafiador gerenciar os processos de trabalho a distância.

Somadas a essas dificuldades, temos as incertezas econômicas de momento, que são várias. Com as exigências de fechamento do comércio e demais serviços considerados não essenciais, dezenas de milhares de empresas vêm sofrendo com uma queda significativa de faturamento. Tudo fica ainda mais sério se pensarmos que não é possível projetar com precisão por quanto tempo mais a quarentena deve se estender. 

Em cenários como esse, cabe aos times de RH atuar ativamente para minimizar problemas. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pela consultoria Wisnet revela algumas tendências para gerenciamento da crise por parte de quem atua nesse setor:

  • 74% enxerga como prioridade criar ou acionar um comitê de crise;
  • 73% está participando de decisões estratégicas ao lado da liderança;
  • 68% quer evitar ao máximo as demissões;
  • 68% prioriza criar ações de saúde para os funcionários;
  • 32% cria opções para cuidar de pessoas mais vulneráveis;
  • 61% acredita ser prioridade posicionar-se de forma generosa e fazer parte do todo;
  • 53% está preocupado em manter o engajamento a distância;
  • 52% prioriza o desenvolvimento de habilidades a distância.

Neste artigo, vamos nos aprofundar nessa discussão, destacando como o RH de sua empresa pode estabelecer uma boa interlocução com os funcionários para atravessar a crise decorrente da pandemia de Covid-19. Acompanhe. 

Orientações para um home office produtivo

Como já destacamos, o trabalho remoto pode ser bastante desafiador para a maioria das empresas que nunca adotaram esse regime. No cenário atual, em que famílias inteiras estão em casa, inclusive gerenciando os estudos de filhos que estão dando continuidade ao ano letivo na modalidade de ensino a distância, tudo pode ser ainda mais difícil.

Nesse cenário, cabe aos times de Recursos Humanos instituírem cartilhas de boas práticas para um home office produtivo. Nesse tipo de orientação, vale destacar aspectos como:

Horário de trabalho

Mesmo a distância, as jornadas de trabalho dos colaboradores devem ser cumpridas em sua integralidade. Dessa forma, quem conta com carga horária de 40 horas semanais/8 horas por dia deve cumprir seu horário entre 7h e 19h.

Comunicação

Dentro do horário de trabalho estabelecido, o colaborador deve estar disponível em diferentes canais de comunicação para gerenciar atividades sob sua responsabilidade, como telefone celular, e-mail, aplicativo de mensagens ou chat institucional.

Incentivo a uma rotina de produtividade

Em uma cartilha de boas práticas para um home office produtivo, vale destacar aspectos ligados à dinâmica do trabalho em casa. Nesse sentido, é importante incentivar os colaboradores a estabelecer uma rotina parecida com a de dias “normais”, o que envolve acordar todos os dias em um mesmo horário, se aprontar para o trabalho (tirar o pijama já é um grande avanço), trabalhar em um local reservado, entre outras coisas.

Disponibilização de todos os recursos necessários para o trabalho remoto

Na implementação do trabalho remoto é muito importante se certificar se todos os funcionários contam com os recursos necessários para exercerem de casa suas funções. Temos, inclusive, exigências legais para que as empresas forneçam todos os meios necessários para o trabalho realizado em casa, como computador, internet e condições de ergonomia. Isso, claro, se o empregado não contar com esses recursos.

Outro aspecto que chama a atenção é a necessidade de verificar o acesso a programas e a sistemas de informação utilizados na empresa. Em ação conjunta com o time de TI, pode ser criada uma “força tarefa” para configurar o computador de todos os funcionários que relatarem problemas dessa natureza.

Comunicação assertiva para um momento de incertezas

Desde o início do chamado isolamento social, assistimos ao aprofundamento de uma crise econômica sem precedentes. Com empresas de vários segmentos impedidas de atuar parcialmente ou integralmente e os consumidores, de maneira geral, priorizando a aquisição de gêneros de primeira necessidade, a sobrevivência de várias cadeias produtivas está comprometida.

Nesse contexto, muitas empresas estão demitindo, estabelecendo férias coletivas ou aderindo ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda – que prevê diminuição proporcional de jornada de trabalho e salários. 

Nenhuma dessas medidas podem ser consideradas “desejáveis” para empregados ou empregadores. No entanto, para que tudo transcorra com o máximo de transparência possível e sem maiores prejuízos para as partes envolvidas, é preciso que o time de RH estabeleça uma comunicação assertiva e humanizada para deixar claro quais serão os rumos da empresa nos próximos períodos e quais as implicações diretas na vida dos trabalhadores. 

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Robson Oliveira

Publicitário, empresário desde os 20 anos em diversos setores, Diretor da Atlântico Corretora de Seguros.